Prefeitura destaca efetividade do Grupo Reflexivo Quebrando Ciclos no primeiro ano de atuação

Radio Jornal FM

A iniciativa trabalha a responsabilização e a mudança de comportamento de autores de violência doméstica, contribuindo para prevenir a reincidência e romper ciclos de violência.

 

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), celebra nesta quarta-feira, 04, um ano de atuação do Grupo Reflexivo Quebrando Ciclos, iniciativa voltada à responsabilização e à reeducação de autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao longo desse período, o Município fortaleceu uma estratégia de prevenção que atua diretamente sobre comportamentos e padrões culturais que contribuem para a perpetuação da violência.

Conhecido inicialmente como Sala Azul, o trabalho começou em novembro de 2025, com a participação de pessoas autoras de violência doméstica encaminhadas pelo Poder Judiciário, no âmbito de medidas protetivas e outras decisões judiciais. A iniciativa foi posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 8.819, de setembro de 2026, consolidando a atuação de Aracaju nesse campo das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher.

O Grupo Reflexivo Quebrando Ciclos parte do entendimento de que o enfrentamento à violência contra a mulher também exige ações direcionadas aos homens autores de violência. Durante os encontros, os participantes são estimulados a reconhecer as atitudes, compreender os impactos de seus comportamentos e refletir sobre padrões culturais e relações de poder que naturalizam a violência.

Entre os tema trabalhados estão masculinidade, machismo, ciúme, controle, relações de poder, comunicação, responsabilidade afetiva e as diferentes manifestações da violência doméstica e familiar.

Para a secretária municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres, Elaine Oliveira, a iniciativa representa um avanço na construção de uma política pública que alia proteção às mulheres e prevenção de novos episódios de violência. “Ao longo desse primeiro ano, mostramos que enfrentar a violência contra a mulher também significa trabalhar com os homens que a praticam, promovendo reflexão e responsabilização. Não se trata de justificar ou minimizar a violência, mas de enfrentar as causas comportamentais e culturais, contribuindo para que esses episódios não se repitam. É uma política pública que amplia nossa capacidade de proteção e prevenção”, destaca.

 

Mudança de comportamento

De acordo com a equipe multidisciplinar, responsável pelos encontros, muitos participantes chegam ao grupo demonstrando resistência ou dificuldade em reconhecer a própria responsabilidade nos episódios de violência. Com o desenvolvimento das atividades, o diálogo e a escuta qualificada favorecem a desconstrução de justificativas e a compreensão das consequências de suas atitudes.

“É um processo que exige continuidade. No início, encontramos resistência, mas à medida em que os encontros avançaram, especialmente quando começamos a trabalhar as emoções, a autorregulação e as relações, percebemos uma abertura maior para a reflexão. A partir daí, conseguimos aprofundar questões importantes sobre responsabilidade e mudança de comportamento”, explica a integrante da equipe dos grupos reflexivos da SerMulher, psicóloga Hellen Lira.

Cada ciclo é composto por 12 encontros semanais, conduzidos por equipes multidisciplinares. A metodologia busca proporcionar um espaço estruturado de reflexão, no qual os participantes podem identificar comportamentos violentos, compreender as consequências e desenvolver formas mais respeitosas de se relacionar.

 

Rede de proteção

O primeiro ano do Grupo Reflexivo Quebrando Ciclos marca o fortalecimento de uma estratégia municipal que compreende o enfrentamento à violência contra a mulher, de forma ampla e integrada. Enquanto os equipamentos da Rede Lilás oferecem acolhimento, orientação e acompanhamento às mulheres em situação de violência, o Grupo Reflexivo atua com os autores, por meio de encaminhamentos do Poder Judiciário, buscando interromper comportamentos que podem resultar em novas agressões.

A iniciativa amplia o alcance das políticas desenvolvidas pela Prefeitura de Aracaju, por meio da SerMulher, ao associar proteção, prevenção e responsabilização. Mais do que acompanhar participantes encaminhados pela Justiça, o trabalho busca contribuir para a transformação de comportamentos e para a construção de relações baseadas no respeito e na igualdade.

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