Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão desenvolvendo uma técnica inovadora para a recuperação de cascos de jabutis feridos. O procedimento, realizado no Hospital Veterinário da instituição, utiliza enxertos sintéticos flexíveis que ajudam na reconstrução da carapaça dos animais, ampliando as possibilidades de tratamento para espécies silvestres. Além de eficaz, a solução tem baixo custo e já foi responsável pela recuperação de pacientes em estado grave.
A técnica começou a ser utilizada em 2018, após um caso crítico envolvendo um jabuti-piranga atropelado por um trator de cerca de três mil quilos. O impacto provocou uma fratura extensa na carapaça do animal, praticamente dividindo o casco ao meio. Diante da gravidade da lesão e da dificuldade de aplicar métodos tradicionais, a equipe de pesquisadores passou a buscar alternativas que permitissem reparar e proteger a estrutura do casco.
Produzidas a partir de material sintético à base de cera, as placas apresentam flexibilidade, permitindo que se adaptem ao crescimento do animal ao longo do tempo. Isso possibilita a aplicação tanto em filhotes quanto em jabutis juvenis. Outro diferencial é o custo: o método pode reduzir os gastos do tratamento entre 80% e 90% quando comparado a técnicas convencionais.
Além de flexível, o material é atóxico e impermeável, ajudando a proteger a carapaça contra infecções durante a cicatrização. Os pesquisadores também trabalham no desenvolvimento de novas versões das placas que possam conter medicamentos para acelerar a regeneração do casco. O Hospital Veterinário da UFS atua em parceria com órgãos ambientais, como o IBAMA e a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), que encaminham animais silvestres resgatados para atendimento e reabilitação.
Imagem: reprodução/ TV UFS.
Por Carla Santos, com informações da UFS.
