O banqueiro Daniel Vorcaro relatou, em depoimento prestado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sofrido ameaças e intimidações durante transferências realizadas pela Polícia Federal (PF). O depoimento, de 68 páginas, foi colhido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro, sem a presença de agentes da PF, e contou com a participação de um representante do Ministério Público e dos advogados de Vorcaro.
Segundo o relato, durante deslocamentos e períodos em aeroportos, policiais teriam feito ameaças como “agora sua vida vai virar um inferno”. Vorcaro afirmou ainda que, durante um transporte de helicóptero, teria ouvido de agentes que seria mais fácil “jogar ele daqui”. O banqueiro também disse ter passado por situações de privação e humilhação, incluindo isolamento, dificuldade de acesso aos advogados e permanência em uma cela com iluminação contínua.
Vorcaro afirmou que as supostas intimidações ocorreram desde os primeiros momentos de sua prisão e que teria sido mantido sem contato com os advogados por vários dias. Ele também relatou ter sido levado a uma unidade prisional federal e questionado sobre eventual vínculo com facções criminosas. De acordo com o depoimento, após a defesa comunicar a situação ao gabinete de André Mendonça, ele foi transferido para um local onde teria melhores condições de comunicação e estrutura.
Outro ponto citado no depoimento envolve o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues. Vorcaro teria afirmado que o nome do dirigente estaria relacionado a informações que pretendia apresentar em uma possível delação e que isso teria contribuído para que o acordo não avançasse. O diretor-geral, segundo a reportagem do Metrópoles, negou as acusações a interlocutores, classificou Vorcaro como mentiroso e questionou por que o banqueiro não teria procurado diretamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) para negociar uma colaboração.
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Com informações do Metrópoles.
