Na última terça-feira (16), o ex-governador e ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, foi ouvido pela CPI do Crime Organizado. O convite partiu do relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirmou que Garotinho detém “conhecimento qualificado sobre a dinâmica de atuação do crime organizado e suas possíveis conexões com agentes públicos”.
Durante o depoimento, Garotinho fez declarações envolvendo o ex-deputado federal e Secretário de Estado do Rio de Janeiro, André Moura. Segundo ele, haveria irregularidades relacionadas a investimentos do RioPrevidência no Banco Master. Garotinho afirmou que participou da criação do fundo previdenciário do estado, estruturado para utilizar receitas futuras de royalties do petróleo como forma de capitalização, com recursos destinados exclusivamente ao pagamento de aposentadorias.
De acordo com o ex-governador, mudanças na legislação teriam permitido o uso desses títulos para outras finalidades. Ele alegou que o RioPrevidência teria aplicado cerca de R$ 930 milhões no Banco Master mesmo após alertas do Tribunal de Contas sobre a situação financeira da instituição. Garotinho também citou investimentos semelhantes feitos por um fundo previdenciário ligado à Cedae, no valor aproximado de R$ 250 milhões, em títulos que não contariam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Ainda segundo Garotinho, essas operações poderiam gerar prejuízos significativos aos fundos, embora, segundo ele, o pagamento dos aposentados não estivesse ameaçado devido ao volume total de recursos disponíveis. O ex-governador afirmou que a indicação da diretoria do RioPrevidência teria sido feita por Antônio Rueda e pelo sergipano André Moura.
Questionado sobre a existência de eventuais benefícios financeiros recebidos por eles em relação a essas aplicações, Garotinho declarou que há informações nesse sentido, mas que não revelaria valores exatos e nem nomes para preservar a fonte, que, segundo ele, atua no próprio fundo. Afirmou apenas que os valores seriam elevados, ultrapassando R$ 1 milhão por operação.
Ao final, Garotinho criticou práticas que classificou como recorrentes na administração pública do Rio de Janeiro, citando fraudes em licitações e o uso indiscriminado da chamada “adesão a atas”, mecanismo que, segundo ele, facilitaria esquemas de corrupção. Ele concluiu afirmando que diferentes modalidades de irregularidades estariam presentes em diversos setores da gestão pública estadual.
Confira na sequência do vídeo as declarações do advogado Vitor Travancas, que confirmam as declarações envolvendo André Moura. O Grupo Jornal de Comunicação está à disposição do Secretário André Moura para esclarecimento.
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