Acusado de exercício ilegal da medicina e da morte de uma paciente, Fernando Henrique Guerrero, que atuava como clínico geral em Sorocaba (SP) sem ter diploma, forjou a própria morte para fugir da Justiça. O caso veio à tona após anos de manobras para adiar o julgamento.
Em 2011, Fernando foi contratado pela Santa Casa de Sorocaba, onde atendeu e medicou pacientes por meses, mesmo sem ter concluído a faculdade de Medicina. Segundo o Ministério Público, ele chegou a diagnosticar como dor nas costas o que eram, na verdade, sintomas de um infarto, resultando na morte de uma paciente. Após a denúncia, mais de 20 famílias relataram à polícia atendimentos suspeitos.
Fernando também é apontado como responsável por indicar Camila Aline da Silva Matias Rocha para atuar como falsa médica no hospital. Ela, por sua vez, era foragida por suspeita de homicídio em São Paulo. Ambos usavam nomes falsos nas escalas de plantão.
Réu pela morte da paciente, Fernando mudou legalmente de nome em 2019, passando a se chamar Fernando Henrique Dardis. Desde então, apresentou seguidos atestados médicos para adiar o julgamento.
A tentativa de encerrar o processo veio em janeiro de 2024, quando sua defesa apresentou à Justiça uma certidão de óbito falsa, indicando que ele teria morrido em um hospital de Guarulhos. O documento trazia a assinatura da médica Claudia Obara, madrinha de casamento de Fernando, que negou ter assinado o atestado e afirmou nem estar no hospital no dia da suposta morte.
Dois meses depois, o Ministério Público descobriu que Fernando esteve pessoalmente em um cartório da cidade para atualizar sua ficha com uma nova foto. A investigação ainda identificou que Ricardo Rodrigues dos Santos, responsável pela emissão da documentação funerária, trabalha em um hospital vinculado à família do falso médico.
Com um mandado de prisão preventiva decretado, Fernando Henrique Dardis segue foragido.
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